Cantadeiro em obras

QUADRILHA-NÃO DÊEM CABO DO MUNDO
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Dienstag, Juli 21, 2009

Opinião sem livros

“És tu, Henrique, e muitos liberalóides ratitos de biblioteca quem, muitas vezes, detém a realidade à porta da "teoria". “
Extraído de Portugal dos Pequeninos
de João Gonçalves

Eu vou aqui opinar a minha ideia de opinião, começando por dizer, mais ou menos por onde passei.
Primeiro, nasci numa casa pobre mas não miserável. A minha mãe fervorosamente protestante e o meu pai patologicamente comunista. Frequentei a Escola Primária do Tovim, sem problemas, passei pelo Ciclo Preparatório Eugénio de Castro, Escola Secundária Avelar Brotero e Liceu Nacional D. Maria. Fiz cursos de formação de Formadores do FAOJ, estive na Escola de Teatro em Évora e trabalhei na construção civil em várias áreas até me consolidar como armador de ferro. Fiz teatro como actor e encenador a nível amador e li muitos livros de autores portugueses.
Arranquei para a Alemanha, mais por curiosidade do que por outra coisa e acabei por ficar, devido a uma Associação portuguesa necessitar de um encenador e me aceitar como tal.
Aprendi a língua, que nem falava; trabalhei desde ardina até auxiliar de enfermagem (neurocirurgia-fascinante), mas nunca obtive um curso superior. Visitei algumas palestras na Universidade de Hamburgo e pensava em me matricular lá para cursar em psicologia, o que não passou disso, pois acabei por sair de Hamburgo e ir para Freiburg, tambem cidade universitária, mas a idade e a vontade cresceram em direcções opostas.
Acompanhei, dum modo ou outro, as evoluções político-sociais quer em Portugal quer na Alemanha e no resto do mundo.
Neste deambular de quase meio século, mudei frequentemente de opinião; nunca porque li, vi ou ouvi, mas sim porque meditei. O ler, ver e ouvir foram apenas a ignição, depois disso é necessário deixar pegar o motor, acelerá-lo, travá-lo e dirigi-lo para a meta que se tem ou que se considera viável.
A minha opinião não vem, por isso, nos livros, se lá viesse não era minha, mas do autor. Eu tenho-me apercebido, durante estes anos todos, que todas as pessoas quando querem reforçar a sua opinião dizem “como dizia [o outro]”; com isso procuram mostrar que não são os únicos a pensarem do seu modo.
Os ratos de biblioteca, porém, procuram sempre reforçar o que dizem com citações de outros indivíduos, sobretudo quando se apercebem que o seu interlocutor poderá estar em desvantagem em relação ao acesso bibliotecário, quer por falta de interesse quer por falta de meios; eles exigem sempre do seu oponente provas. Onde é que é que eu posso ir buscar provas para a minha opinião se nunca escrevi um livro para a defender, nunca fiz um filme nem coisa parecida? Terei que ir buscar o que outro disse? E se o que o outro disse está correcto mas o contexto onde foi inserido é falso, quer dizer, não compatível com a minha opinião? Um problema, não é verdade?.
Diz-se frequentemente: vai chover; e quem o diz não é nenhum meteorologista ou coisa que o valha. Ninguem, ou raramente alguem, pergunta: porque é que dizes isso?
Se eu sou da opinião que os americanos nunca aterraram na lua, não é porque alguem escreveu que assim é; eu formei a minha opinião a partir de afirmações, tais como: “O que é desconhecido do grande público é que a alunagem não correu tão bem como se diz. O módulo “Águia” desviara-se da rota prevista e dirigia-se para uma zona de terreno irregular; Armstrong ligou o “manual” e evitou, assim, o pior. De acrescentar que esta manobra teve também o pormenor do combustível: este chegaria apenas para mais vinte segundos, quando Armstrong alunou.” Esta citação foi traduzida por mim, vinda do canal televisivo alemão ZDF. Ela gerou em mim a pergunta: Onde é que foram, então, buscar o combustível para poderem regressar?...
Os ratos de biblioteca, uma espécie homossáuria bastante proliferante, pergunta frequentemente: onde é que leste isso? E não aceitam nunca como resposta: não li em nenhum lado.
Eu, na minha viagem como pai, apercebi-me que o meu filho frequentemente tinha (ainda tem) teorias fascinantes muito antes de aprender a ler, e o mais interessante é que ele possuía, paralelamente, argumentos de defesa. Não foram (ou são) raras as vezes em que tenho que lhe dar um livro para lhe mostrar o erro da sua teoria... reforço, porém, sempre, que um livro não é a bitola do universo; um livro tanto pode estar certo como errado. É na sua cabeça que ele tem que (re)formular a sua opinião.
Poder-se-á perguntar porque é que lhe dou um livro... eu não estou apto a discutir todos os temas com os quais o meu filho me confronta, daí recorro ao auxílio de livros, e naqueles que julgo possuir uma opinião fiável, penso ser útil mostrar-lhe quer opiniões contrárias quer favoráveis; um livro é sempre um bom auxiliar.
A opinião de cada um, contudo, permite escrever muitos livros, mas não pode nunca ser um livro só.

Freitag, Juli 03, 2009

Desiludido com o meu Genesis

Desiludido com a criação do meu mundo, enchi um copo com sumo de laranja e uma boa porção de vodka. Traidor aos meus princípios, pois no princípio era eu e a cerveja... agora era apenas eu e a minha traição.
Sentia-me uma espécie de ecologista a proibir a caça do cachalote aos açoreanos e a permitir a pesca destes aos japoneses para fins científicos...
Só me falta que os tipos da Quadrilha Europeia recusem um novo mandato ao Barroso e o obriguem a ir chupar na teta outra vez em Portugal.
Depois que os alemães abanaram o rabinho ao Tratado de Lisboa que me sinto a sofrer do Síndroma de Schäuble e espreito em todos os cantos do meu portátil à procura da placa de espionagem que o governo exigiu implantar para saber dos meus rumos internáuticos.
Tudo isto não tem nada a ver com os objectivos que me impusera ao criar o meu blogue, mas depois da presença de dybuuks, alusões a nazis e judeus, e agora a esta treta política que o desânimo se apossa de mim... este canto começa a soltar um cheiro imundo a religião e política...
Confesso que o meu intolerante espírito me massacra e me impele a continuar; chega mesmo a sussurrar-me: Deixa andar o barco, menino. Cria lá o teu mundo sossegadinho que ninguem dá por isso, e mais tarde, se não estiveres satisfeito com os resultados, fazes limpeza geral com um dilúvio.
E é verdade! Afinal o blogue é meu! Um blogue libertário e libertino (não posso deixar de pensar nas coxas roliças da empregada do tasco).
É isso! Dou uma volta por pensamentos promíscuos. Engulo a solidão com mais um vodka-laranja e escrevo um poema.
Os meus deâmbulos são preâmbulos
São livros só de início,
São circulares caminhadas
Em torno dos próprios passos.

Tomar-te o corpo
É beber um copo.
E quando tu me sorris
É eterna bebedeira.

Não foram os meus deâmbulos!,
Não fossem estes meus passos circulares,
Que tal como me aproximam
De ti me afastam!...

Por favor,
Tem pena de mim.
Por um instante.
Tem pena de mim...
Eu gostaria tanto de ser covarde...

E, corajoso, prossigo
Nos meus passos de sempre.